As Nossas Musas

A eterna Anna Julia
Por Dayane Gomes

Cantada pelos Los Hermanos, Anna Julia marcou não somente a minha adolescência como a de muitos também. Ao ouvir o som inconfundível da música pelas rádios, era êxtase total poder chegar ao refrão e gritar “Oh Anna Julia!”. Embalando tardes e madrugadas da juventude dos anos 90, o retrato da vida amorosa não correspondida apresentava muitos seguidores, pela identificação com a letra.

Anna Julia, apesar de ser inspirada em uma personagem real, a minha concepção é de que a mesma é um codinome para as “Annas Julias”, que todos nós um dia nos deparamos, sem denominação de sexo feminino ou masculino, mas um ser metafórico que expressa fielmente à desilusão. A música fez tanto sucesso, que fãs deram o nome ás suas filhas e até hoje, ao conhecer alguém com o mesmo nome, tão certo ocorre à associação a música. É com prazer, que digo Anna Julia sempre será a minha musa cantada, seja em um barzinho em fim de tarde, ou na saidera de um fim de festa, mas com toda certeza de que a fonte de inspiração saiu da realidade, dando o seu nome a letra para se eternizar na história da música popular brasileira.

Garota de Ipanema: o charme da Bossa Nova
Por Letícia Joana dos Santos

Uma das canções mais conhecidas e gravadas em todo o mundo, que reverencia o charme e a beleza da mulher brasileira, com seu modo característico de se vestir e se expressar, bem como sua maneira especial de caminhar. Tom Jobim e Vinícius de Moraes, os compositores da música Garota de Ipanema conseguiram mostrar de forma poética em seus versos homenagear a graça da mulher brasileira, acentuando ainda mais a fama da então sortuda Helô Pinheiro (Garota de Ipanema) e da cidade maravilhosa.

A eterna musa dos cariocas, e uma das principais personagens da Bossa Nova é a perfeita tradução do cenário da praia de Ipanema no Rio de Janeiro, que evidencia a leveza e o charme das jovens mulheres na década de 60 e é claro também das mulheres de hoje.

Não é a toa que “Garota de Ipanema” já foi considerada a segunda canção mais cantada do mundo, perdendo apenas para “Hey Jude” do aclamado grupo Britânico “The Beatles”. Tom e Vinicius sempre escreviam suas musicas com maestria ao eternizar canções sobre a vida, o amor e a alma feminina. Impossível não se sensibilizar com uma bela canção que exprime o meu admirar pela cidade do Rio de Janeiro e é claro pelas mulheres cariocas que assim como eu, também já se sentiu ao menos uma vez na vida uma típica “Garota de Ipanema”.

Imaginária, não menos musa
Por Pablo Marques

Muitas vezes, me derramo em lamentos com alguns amigos por achar que nasci na época errada. Não ter visto um show do Vinicius de Moraes ou dos Novos Baianos significa um incômodo; assim como não pude ver os shows de Gil e Caetano logo depois de terem voltado do exílio em Londres; e, de certa forma, por ainda não ter nascido no período da Ditadura Militar. Não digo isso porque simpatizo com aqueles tempos, mas eles despertaram muitos sentimentos e esses, por sua vez, fizeram nascer muita coisa boa no âmbito cultural. Uma das mais belas canções que já pude ouvir é, sem sombra de dúvidas, “A Rita”. Como todos nós sabemos, foi uma forma genial que seu compositor, Chico Buarque de Hollanda, encontrou de camuflar sua manifestação contra o Regime Militar.

A música, lançada no auge do governo liderado pelas forças militares, dizia que a Rita havia partido e levado muito do que o autor possuía. Ela, que na verdade era a Ditadura, levou o retrato, o trapo e o prato do rapaz e só não levou dinheiro porque ele não possuía. Realmente o que acontecia na época. Os militares costumavam entrar nos lares e, sem maiores satisfações, levavam bens e, se tivessem alguma desconfiança, levavam também as pessoas que julgavam ameaçadoras do governo militar. Um momento quando muitos sofreram e alguns, até hoje, ainda não possuem informações sobre seus entes desaparecidos.

Sob um olhar superficial, A Rita não passa de um simples objeto imaginário para ocultar a inconformidade de Chico Buarque com a situação política que o país vivia. No entanto, essa personificação nos rendeu uma obra de arte de valor imensurável e a “musa de inspiração” se tornou um importante ícone da Música Popular Brasileira. Diga-se de passagem, a Rita teve maior repercussão que outras musas da época, mesmo em comparação com as “reais”.

Até hoje, quando ouço “A Rita”, sinto um arrepio. Letra e música se encaixam de uma forma natural e, juntas, combinam em umas das maiores músicas de todos os tempos. Com uma pesada relação histórica e uma qualidade oriunda de um dos maiores compositores da música mundial, esta canção de meados dos anos 60 trouxe, pelo menos para mim, a mais importante musa da Música Popular Brasileira.

Amélia, a mulher de verdade
Por Fernanda de Souza 

Quando se fala em Amélia, vem logo à mente a música de Ataulfo Alves e Mário Lago. E, na nossa sociedade atual, considera-se antiquada uma mulher que se dedica ao lar, ao marido, aos filhos. As “Amélias” perderam espaço para a independência financeira, o trabalho, a conquista de bens materiais e ascensão profissional. Eu, particularmente, não concordo com isso.

Não penso ser degradante cozinhar, lavar, passar, fazer faxina, cuidar dos filhos. Muito pelo contrário. Acho que as mulheres precisam resgatar a “Amélia” que existe dentro de cada uma. Considero que a dignidade da mulher não se mede pelo seu contra-cheque ou por uma posição de chefia numa grande empresa.

Veja bem, não me entenda mal. Não tenho nada contra a ascensão social feminina. Muito pelo contrário. Tenho orgulho das conquistas das mulheres ao longo dos anos. Não poderíamos continuar, de forma alguma, a ser tratadas como sub-cidadãs ou seres humanos de menor valor, com menor capacidade do que os homens.

Contudo, vejo que a vontade de crescer e aparecer se tornou quase um vício feminino. As mulheres de 20 e poucos anos, em sua maioria, não pensam mais em casar e ter filhos. Estão colocando suas carreiras na frente de tudo, inclusive da possibilidade de vir a ter uma família. Vejo meninas da minha geração focadas somente em crescer profissionalmente, chefiar equipes, ganhar rios de dinheiro. Já dizia a letra da música: “Você só pensa em luxo e riqueza / Tudo o que você vê, você quer”. Como conseqüência, deixam casamento e prole para depois dos 30 ou até mesmo dos 40.

Não vejo motivos pra tanto. As mulheres são conhecidamente seres multifuncionais. Não nos orgulhamos de conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo? Então, deveríamos pensar em aplicar esse princípio em nossa vida num conceito global. É, sim, possível ser profissional, mãe, esposa e mulher ao mesmo tempo. Não estou dizendo que é fácil. Mas não é uma missão impossível.

Por isso, considero Amélia uma musa inspiradora. E acho que a nossa sociedade precisa de mais Amélias. Precisamos resgatar essa mulher que existe dentro de cada uma de nós. E, para isso, não precisamos abrir mão de tudo que nossas avós e mães lutaram tanto para conquistar. Podemos conciliar todas as tarefas que ser Mulher (assim mesmo, com M maiúsculo) compreende.

Ser Atriz
Por Flavia Caled

Quem nunca se imaginou sendo personagem de uma música, ou até mesmo se identificou com sua letra?! Pois é, isso acaba variando muito de acordo com a época da vida de cada um, em alguns momentos estamos mais sensíveis, em outros muito românticos ou não querendo nenhuma responsabilidade com a vida, enfim, de “n” maneiras, por isso temos o costume de dizer que nossa vida tem uma trilha sonora.
Sei que não estou em uma sessão de terapia, mas vou ter que admitir que estou em uma fase um tanto turbulenta, com várias dúvidas em relação ao meu trabalho, faculdade e minha vida pessoal. E nesse momento a personagem da música popular brasileira que mais me inspira é a “Beatriz” de Chico Buarque. Além de a música ser linda em todos os sentidos, o que mais é colocado é a “questão” sobre o que a Beatriz é. E é assim que me sinto, o que quero e o que estou sendo nesse momento.
Ao ouvir essa canção entende-se que a personagem é tão única e cheia de mistérios e por ser atriz, acaba se tornando ainda mais difícil de desvendar sua verdadeira personalidade. E é esse um dos motivos que mais me faz gostar e pensar sobre essa música; a letra é tão cheia de detalhes e suposições que acaba levando quem ouve a refletir sobre essa mulher e imaginar como é sua aparência, seu dia a dia, no que ela acredita, como é estar na vida de Beatriz e existe até a idéia de ela ser uma loucura. Ela é apenas uma atriz que desempenha muito bem seus papéis.

O poder de uma canção
 Por Lorena Zarattini

Semana passada estava andando de carro, quando a música Anna Julia da banda Los Hermanos, tocou em uma rádio. Na mesma hora pensei que a canção foi desenterrada, pois já faz muito tempo que ela estourou e fez aquele sucesso estrondoso. Porém, mesmo sem ouvi-la há alguns anos, acompanhei a letra e fiquei admirada por ainda recordar praticamente toda a composição. Ao escutar a composição, passaram uma série de recordações em minha mente, tanto de momentos bons quanto de ruins. Me fez lembrar, principalmente, dos meus medos e angústias de dez anos atrás, quando a música foi lançada.

O ano era 1999 e o local era o Hotel Fazendo Santa Bárbara, foi lá o primeiro lugar que ouvi e gritei sem nenhum arrependimento “Oh Anna Juliaaaaaa”. Foram sete dias hospedadas e 24 horas de pura cantaria, na piscina, jogando queimado, conversando com os amigos e até mesmo na hora de dormir, quando ouvia a música e ficava pensando no meu amor de férias, que tinha conhecido ali mesmo no Hotel. Quantos outros relacionamentos foram lamentados sob o fundo de Anna Julia? Sem dúvidas, uma trilha de corações partidos e de outros jovens a procura do primeiro amor.

O interessante é que quando uma canção nos marca, ela nos traz uma doce melancolia que gera risos e choros. Lembramos de quando éramos mais jovens e dos fatos que mexeram com as nossas emoções, a música felizmente tem esse poder. Ela embala todas idades e diversas situações. E da mesma forma que Anna Julia embalou minha vida, novas canções embalam hoje outros jovens, como eu.

Apesar de tudo, ela tem sonhos
Por Flavia Doria 

A música brasileira sempre esteve repleta de nomes femininos que serviram de inspiração para os versos de seus principais compositores, aliando suas melodias às qualidades irresistíveis de suas musas, que na maioria das vezes eram amores – à primeira vista ou de muitos anos.

Contudo, dentre as muitas histórias românticas por detrás destas letras, sempre preferi as que homenageiam mulheres dignas da admiração isenta de qualidades amorosas dos poetas. Amigas, irmãs, mães, ou simples conhecidas que despertaram o interesse e o carinho alheio.

Quando fiz meu artigo para o “Mulheres Cantadas”, escolhi falar da música “Angélica” de Chico Buarque, em memória da estilista Zuzu Angel, que além de amiga pessoal do cantor é uma personagem icônica da história da luta contra a ditadura no país. Apesar da profunda admiração pela mãe de Stuart Angel, se pudesse escolher uma musa pessoal, ficaria com “Janaína” do Biquíni Cavadão.

Janaína, inspirada na empregada doméstica de um membro da banda, representa como nenhuma outra a realidade de muitos brasileiros.

“Janaina acorda todo dia às quatro e meia               
E já na hora de ir pra cama, Janaina pensa

Que o dia não passou
Que nada aconteceu

Janaina é passageira
Passa as horas do seu dia em trens lotados
Filas de supermercados, bancos e repartições
Que repartem sua vida”

Como não poderia deixar de ser, nossas musas também nos inspiram por questões de identificação e, como a rotina maçante desta mulher não a impede de sonhar, escolho ela como símbolo de persistência e otimismo.

 “Mas ela diz
Que apesar de tudo ela tem sonhos
Ela diz
Que um dia a gente há de ser feliz”

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