A escolhida

Posted on dezembro 1, 2011

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Por Thiago Brasa

De “Todas as Mulheres do Mundo”, Rita Lee escolheu Leila Diniz como refrão para sua música. Leila foi uma atriz que chocou as décadas de 60 e 70 por suas declarações. Aos dezessete anos casou-se com o cineasta Domingos de Oliveira, onde passou a trabalhar como atriz, mas se separou três anos depois. Posteriormente casou-se com outro cineasta: Ruy Guerra.

Leila foi uma mulher a frente do seu tempo. Não tinha papas na língua e chocava a sociedade com seus discursos e sua visão libertadora que tinha para a mulher. Por conta do que saia nos jornais e revistas foi criado um decreto de censura a imprensa com seu nome em respeito à moral e aos bons costumes, o Decreto Leila Diniz. O decreto de censura durante o regime militar veio após sua entrevista no jornal “O Pasquim”. Na entrevista, Leila falou diversos palavrões que foram substituídos por asteriscos durante a entrevista impressa, além de declarar que “Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo.” Esse foi o exemplar mais vendido do Jornal. Leila também ficou conhecida por chocar a sociedade dizendo que “[Eu] Transo de manhã, de tarde e de noite” e por ter exibido sua gravidez de biquíni na praia de Ipanema.

Morreu com apenas 27 anos de idade em um acidente de avião voltando da Austrália. Leila Diniz rompeu tabus da sua época e foi muito bem resumida por uma frase de Carlos Drummond de Andrade: “Sem discurso nem requerimento, Leila Diniz soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão.”

“Toda mulher quer ser amada
Toda mulher quer ser feliz
Toda mulher se faz de coitada
Toda mulher é meio Leila Diniz” – Rita Lee (Todas as mulheres do mundo)

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