Lígia, uma quase história de amor

Posted on novembro 17, 2011

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Por Thiago Tiara

Lígia é sem dúvida alguma, uma das mais belas composições de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o nosso maestro Tom Jobim. É a bossa da negação, Tom afirmava não gostar de chuva, de sol, samba e cinema, não ir a Ipanema e nunca querer tê-la ao seu lado, mas isso não passava de um jogada.

A musa em questão era a professora carioca, eles se conheceram em uma tarde fria e chuvosa de inverno, no Bar Veloso, em Ipanema. Ela estava sentada com uma amiga e o Tom, galanteador como era, logo sentou-se ao seu lado, mas em uma dessas coinciências da vida, a paquera era professora de uma de suas filhas, quando soube, ele soltou uma gargalhada e disse que essa foi a primeira vez que uma paquera se tornou reunião de pais e mestres.

Tom estava atrasado para uma entrevista com Clarice Lispector, na TV Manchete e as levou junto. Clarice não gostou nada quando viu as duas e menos ainda quando  pediu um poema e ele se recusou a fazer, afirmando não ser poeta. Mas isso não foi impedimento para ele compor um poema para Lygia “Teus olhos verdes são maiores que o mar/ Se um dia eu fosse tão forte quanto você/ Eu te desprezaria e viveria no espaço/ Ou talvez então eu te amasse/ Ai que saudades me dá/ Da vida que eu nunca tive”, e assinou A.C.J. no poema que a professora guarda até hoje.

Lygia Marina de Moraes

O encontro ficou por aí, não houve nenhum envolvimento entre os dois. Tempos depois Lygia se casou com o cineasta Fernando Amaral e entrou para a turma. Segundo o jornalista e amigo de Tom, Ruy Castro, ele vivia de olho nela.

Anos depois ela se separou reacendendo a paixão. Tom ligou para um amigo em comum, o escritor Fernando Sabino, sem saber que eles estavam juntos, e pediu o telefone dela. Fernando deu o telefone de uma amiga e avisou para esta que o Tom ia ligar e que era para dar outro telefone, errado outra vez. Passagem colocada na música que posteriormente seria escrita para Lygia.

Após essas investidas, o nosso maestro compôs a canção sobre as morena, mas não assumiu ser ela a sua musa, pois era amigo de seu novo marido, o Sabino. Tanto que Lygia virou Lígia e seus olhos verdes foram pintados de castanho. Quando compunha a música, Tom recebeu uma visita do João Gilberto, ele gostou tanto da canção que pegou o rascunho inacabado e terminou, dando outro desfecho ao caso de amor, nessa versão o relacionamento aconteceu. Tempos depois o maestro concluiu a música e deu para o Chico lançar no albúm “Sinal Fechado”, Chico fez umas modificações e lançou.

A música foi sucesso, todos perguntavam quem era essa mulher e Tom nunca dizia. Ele só assumiu ser Lygia a sua musa, após ela se separar de seu amigo Sabino, quase 19 anos depois do lançamento do albúm.

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