A rainha do frevo e a doce mulher com nome de flor

Posted on outubro 30, 2011

0



Por Thiago Tiara

Dorival Caymmi cantou muitas mulheres, algumas só porque o nome dava sonoridade à canção, combinando e dando rima, e outras que realmente existiram. Como o próprio compositor gostava de dizer “Nem todas as músicas são feitas para alguém, mas pode acontecer”, e aconteceu.

A humilde Rosa, da canção Das Rosas é um exemplo, antes de criar a personagem, Caymmi esteve em Portugal, e lá, passou por uma estrada repleta de roseirais em suas margens, o baiano ficou encantado e com o tema na cabeça para uma próxima composição.

Logo que voltou ao Brasil, foi visitar seu pai na Bahia e viu que havia uma empregada nova na casa, um jovem doce de nome Rosa, uma grande coincidência, pois já queria compor uma canção sobre “Rosas”. Com sua habitual genialidade logo fez uma brincadeira com a humilde cuidadora, “nada como ser rosa na vida, rosa mesmo, ou mesmo rosa mulher…”. A menina nunca soube que foi musa, ela sequer sabia que Caymmi era um famoso cantor e compositor.

Outro exemplo é o da rainha do frevo e do maracatu, a dançarina desconhecida da música Dora.

Caymmi tinha ido fazer um show no Recife, aquele dos bairros e das fontes coloniais,  e estava hospedado em um hotel. Lá pelas tantas da madrugada passou um bloco de frevo pela rua e o baiano foi assistir o espetáculo, quando chegou na calçada, viu uma bela cafuza a frente do grupo, a passista além de linda, era uma exímia dançarina. Dorival tratou de descobrir seu nome, olhou para ela e começou a cantar “Dora rainha do frevo e do maracatu…”.

Anúncios